Cuidando de Quem Cuida

Cuidando de Quem Cuida

Em 2003 a Casa da Árvore foi convidada a desenvolver um trabalho junto à uma creche comunitária. Tal convite aconteceu devido à experiência que o trabalho já vinha construindo junto à infância e seus responsáveis no contexto de favelas cariocas. Em 2004, a partir desta primeira experiência, outra creche comunitária procurou a Casa da Árvore e em 2007 um grupo que montava uma creche filantrópica chamou a ONG para participar da instituição que iam inaugurar.

O trabalho em instituições de educação infantil tem sido construído dentro da mesma linha de atuação dos Espaços de Convivência, considerando o diferente  contexto institucional. Nos Espaços de Convivência a proposta de receber crianças acompanhadas de responsáveis delineou, desde o início, uma determinada perspectiva para o trabalho: além de receber as crianças como sujeitos e cidadãos, pretende-se favorecer e fortalecer os adultos tutelares no desempenho de sua função e não culpabilizá-los por possíveis “falhas” no cuidado com os pequenos. Para tal, procura-se oferecer um ambiente de acolhimento e trocas afetivas em que seja possível, para adultos e crianças, a partilha de sentidos para suas ações e sofrimentos.

Sabemos hoje que os primeiros anos de vida têm importância decisiva na construção subjetiva. Nas diversas áreas da psicologia e da saúde como um todo, consolida-se a perspectiva que afirma a importância do ambiente, dos cuidados parentais e das relações estabelecidas na primeira infância como referenciais fundamentais à construção da subjetividade da criança e de seu desenvolvimento global.  Assim sendo, é fundamental prover um ambiente que facilite o estabelecimento das bases para a saúde física, mental e emocional da criança em desenvolvimento.  

Considerando que muitas crianças passam 8 horas do seu dia durante os primeiros anos de vida em instituições, compreendemos que as relações que as crianças vão estabelecer na creche junto às educadoras serão determinantes para seu desenvolvimento. Os profissionais ali presentes, pela função que exercem e pela constância de sua presença, assumem um papel fundamental na formação das crianças. Investir na sua formação é ampliar o campo de atuação, beneficiando não só uma criança em particular, mas as crianças que serão cuidadas e educadas por aquele profissional.